lua em flor

Obra composta por conto e poesia – com vários textos premiados, quer em Portugal, quer no Brasil – harmoniosamente repartidos pelas quatro fases da lua. O registo poético da poesia, mas, também, da prosa, contribui para a unidade estrutural da obra, conduzindo a uma leitura envolvente. A lua surge como um elemento vivo, e ao mesmo tempo metafísico, e ainda como uma influência indelével na escrita da própria autora. São páginas impregnadas de letras com luar e de luar com letras. “Lua em Flor” exprime sensualidade, feminilidade, beleza e mistério em todo o seu esplendor.

“Lua em Flor” tem capa da autoria da pintora brasileira Ana Luisa Kaminski, as ilustrações do interior são do ilustrador André Caetano e conta com prefácio do escritor Rui Zink.

Crítica de Miguel Pestana no Blogue “Silêncios que Falam”:

O conto O Poema (um dos doze que figuram neste livro) inicia-se assim: «Respirei fundo. Olhei pela enésima vez, a folha de papel à minha frente. O poema permanecia em branco, encarcerado algures dentro de mim ou talvez na tinta da esferográfica.» [continua]

Uma nova geração de autores de poesia portuguesa parece estar a surgir. No mundo editorial, poucas são as editoras que “abraçam” este género lírico – de se fazer expressar o que há dentro, de quem o sente –, pois dizem que «não vende». Felizmente há editoras que apostam fortemente na temática poética, e é por isso que Lurdes Breda tem já vários livros publicados, sendo este o seu último “rebento”.
A lunação e suas mutações são o pano que adornam o conjunto de poemas e contos deste Lua em Flor. Ora o pano cobre meia-lua, ora descobre-a por completo. É por entre estes interstícios que a autora revela a sua sensível habilidade de criar poesia por entre as palavras e espaços brancos, vazios, onde não há tinta derramada, onde a invisibilidade é, em si, fenómeno de contemplação.
«O silêncio beijava a alvorada, / Lânguida e ensonada, / Quando a lua, / Espreitou do alto, / Aluada e em sobressalto, / Os nossos corpos enlaçados» (…) É em deslumbramento que ficamos ao provar frases como estas de tamanha beleza.
«A noite contornava-nos nos olhos do público. Os olhos do público contornavam-nos. Nós contornávamos os olhos do público. Os violinos juntaram-se à harpa. Um tambor rufou baixinho».
Tanto na prosa como na poesia, a autora utiliza uma linguagem similar, carregada de simbolismo lunar e o seu tom é sensual, apetecível de cair em tentação. Os adjectivos de que se serve para transmitir o que vai na sua alma são fortes. Quanto mais intenso é a leitura, maior deixamo-nos levar, tal como o vento – para bem longe.
O teu rosto, amor, / É canela, açafrão, / Ternura aberta em flor; / Em pétalas de paixão / (…) O leitor sente estes cheiros – a especiaria, a flor em festa, a lua em flor e a aroma de luar.
O teu perfume de luar / Adoça a pele da noite. / Uma gota. Uma estrela. / Por entre seios adormecidos. / Um rasto de luz, / Num corpo de sombra, / Propaga o desejo. / Mulher. Mistério. / (…) Gemido de prazer. / Grito de ave nocturna. / Inebriada a luz suspira. / Crescem rosas nas crateras, / Que o vento desfolha, / Sobre coxas nuas».
A lua é abordada como um elemento metafísico, dual, mudando os sentidos que exalam-se conforme cada fase lunar.
Rui Zink, o prefaciador deste livro refere que «qualquer escritor que se preza sabe que os melhores poemas são sempre feitos sem palavras». Quem ler este livro que fusa palavras, cheiros, sentimentos, sentidos e muito mais, saberá que a leitura será envolvente. Uma nota muito positiva tiro deste belo livro e uma surpresa, o saber que há autoras como Lurdes Breda, que têm o dom de hipnotizar leitores.

[continuação] A chuva continuava a cair. O vento atravessava o jardim em correria, para não se molhar. As gotas de água escorregavam pelo vidro da janela. Algumas detinham-se. Não sei se era eu que as observava ou se eram elas que me observavam a mim. (…) O meu poema em branco, na folha de papel à minha frente, já não era um poema em branco. (…) Apenas não tinha palavras, o meu poema em branco.» O conto O Poema finda assim.

Sessões de Lançamento:

Abril 2012 – Galeria Municipal de Montemor-o-Velho.
Estiveram presentes, Conceição Ruivo, Presidente Associação da Amizade e das Artes Galego Portuguesa e o Presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Dr. Luís Leal.

Junho 2012 – Casino da Figueira da Foz.
Estiveram presentes, o escritor Rui Zink, a Grão-mestre da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal, Olga Cavaleiro e António Vieira da Silva pela Editora Edições Vieira da Silva.

Julho 2012 – Hotel Moliceiro, Aveiro.
Esteve presente a Presidente do Grupo Poético de Aveiro.