Fátima

Sinto a chuva, como lágrimas de anjos,
sobre as azinheiras do lugar santo…
A Virgem sorri, num luminoso raio de sol,
dissipando, por momentos, o aguaceiro de Outubro.
Pardais acostumados à liberdade saúdam-me, com olhar terno.
Folhas vestidas de Outono, desprendem-se dos ramos musgosos,
e planam em acenos amarelecidos, de saudosa despedida.
Ecoam sinos próximos.
Repicam promessas de fé,
e o meu coração cobre-se de paz e de flores.
O choro de uma criança enche o vento de inocência,
e eu torno-me outra vez menina,
no lugar, em que os homens se prostram, e pedem perdão a Deus…

in “Folhas ao vento”

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