É um rosto de sorriso fácil. Um sorriso nascido na sua própria simplicidade e no amor de todos aqueles que a rodeiam. Um sorriso que brota da fertilidade da terra. Um sorriso que irradia a luz do sol, que desabrocha no perfume das flores e se dispersa no abraço do vento até aos confins da fantasia…

Considera-se um ser humano privilegiado pelo afecto que os outros lhe dedicam e pelo dom da escrita. Do seio da Natureza flúi a inspiração, que dá vida às palavras, com que inunda a brancura do papel.

A sensibilidade e a criatividade são instrumentos fundamentais, que utiliza na elaboração dos seus textos, recamando-os depois, com a multiplicidade dos sentimentos e das emoções experimentadas no quotidiano.

Quando acredita que determinado percurso é o mais certo para os objectivos a que se propõe, é obstinada em segui-lo. Possui, todavia, uma enorme capacidade de improviso, face às adversidades inerentes a qualquer vivência.

Se tivesse que apontar alguns dos seus defeitos, não hesitaria em dizer que é teimosa, demasiado perfeccionista e extremamente distraída. Ironicamente, ou talvez não, muitas são as pessoas, que após lerem o que ela escreve, lhe dizem ser boa observadora. Pensa então, para consigo mesma, que o que tem é uma imaginação demasiado fértil…

Subtilmente influenciada por autores clássicos, cujos livros leu avidamente na adolescência (Eça de Queirós, Júlio Dinis, Trindade Coelho, Almeida Garrett…), a sua escrita traduz por vezes alguma sobriedade e um vocabulário relativamente elaborado, traduzindo-se numa vasta adjectivação.

Crê-se uma pessoa prática e realista, identificando-se, contudo, com muitos dos temas e dos ideais, relacionados com o período do Romantismo. O que não obsta, a que tanto na prosa como na poesia, utilize uma linguagem moderna e livre.

E é em liberdade que ela se sente, quando a construção dos cenários que elabora nos seus textos, a levam em viagens extraordinárias, fora de qualquer tempo e de qualquer espaço. São justamente essas viagens, que têm o poder de lhe emprestar as asas fugidias, que estende sobre as fronteiras do sonho…

Julga que também à literatura cabe um papel de intervenção social. Gosta por isso de empregar as faculdades literárias que possui, em iniciativas que despertem a consciência da sociedade para (por exemplo) a problemática da integração da pessoa deficiente.

É uma idealista irremediável e tenta ver ser sempre o lado bom da vida. Talvez porque só assim, algumas coisas lhe pareçam infinitamente mais suportáveis…

Imerso em realidade, o sonho será sempre o amigo secreto que a leva pela mão…